Cai o número de jovens que permanecem no campo e os que resistem sobrevivem com apoio da organização sindical

Jovens agricultores familiares do estado do Pará continuam a produzir alimentos com apoio da organização sindical

Escrito por: Da redação da Contraf Brasil - Patrícia Costa • Publicado em: 10/12/2019 - 18:20 • Última modificação: 10/12/2019 - 18:44 Escrito por: Da redação da Contraf Brasil - Patrícia Costa Publicado em: 10/12/2019 - 18:20 Última modificação: 10/12/2019 - 18:44

Fetraf PA Matheus Jadjiski Santos, de 20 anos - jovem agricultor familiar

Jovens com idade entre 25 anos e 35 anos, no meio rural, representam apenas 9,48 % do contingente da população rural, segundo o Censo Agropecuário de 2017. Na pesquisa passada, 2016, eles eram 13,56%. Isso demonstra que os jovens estão migrando para os centros urbanos, ou seja, o êxodo rural volta assombrar a sucessão familiar.

Outro grupo que também encolheu foi com idade de 35 a 45 anos, em 2016 eles representavam 21,93%, agora são só 18,29%. Hoje, a população que predomina no meio rural é pessoas com mais de 65 anos, chegando a 21,4% dos moradores, em 2006 eles eram 17,52%.

Esse envelhecimento não é à toa, já que permanecer no campo aos 25 anos é difícil sem oportunidades de educação e principalmente da tecnologia que move o mundo moderno. Ainda, sem as políticas públicas implementadas nos governos anteriores, que foram capazes de mudar o êxodo rural, a permanência no campo é praticamente para aqueles que estão organizados na classe trabalhadora.

Na ocupação da área chamada Nova Conquista, na cidade de Bom Jesus do Tocantins, interior do estado do Pará, Matheus Jadjiski Santos, de 20 anos, tem “sangue nos olhos”, como diz a expressão. Esse jovem é responsável pela produção de cerca de 18 toneladas de maracujá. Persistente, ele é uma exceção em meio ao envelhecimento no campo.

Matheus trabalha e tira seu sustento e da sua família da terra, por meio da produção do maracujá. Numa área de 2,5 hectares com 1850 pés de maracujá, que rendeu três safras neste ano de 2019, é um exemplo de que a sucessão rural é viável se existirem políticas públicas que apoiam a permanência do jovem no campo. Ele ainda consegue produzir com sustentabilidade utilizando técnicas de agroecologia, sem uso de agrotóxicos, aprendidas com a organização sindical da qual faz parte.

Para a sucessão familiar no meio rural dá certo, é primordial a capacitação de jovens. Assim é o olhar do curso de Jovens Agricultores Familiares - JAF, promovido pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Pará (Fetraf Pará). O curso que teve início em maio de 2019, com o objetivo de potencializar a reflexão dos jovens sobre a temática da juventude da agricultura familiar, fomenta o interesse pelo modo de vida rural e os desafios como juventude protagonista na produção de alimentos.

Como Matheus, cerca de 60 jovens participam do curso que é uma alternativa de apoio para capacitar jovens com vistas a sucessão da agricultura familiar.

Políticas Públicas atingidas pelo desmonte do Governo

Nos governos de Lula e Dilma foram diversas as políticas públicas que tornaram o campo um espaço de oportunidades para a juventude rural. Os governos expandiram a rede federal de escolas técnicas, garantindo formação técnica e profissional aos jovens de todo o País -  foram construídas, pelo menos, 422 escolas técnicas.

Com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), oferecendo cerca de 864 tipos de cursos – 220 técnicos e 644 de formação inicial e continuada – realizados em escolas técnicas federais e nas unidades do Sistema S (Senai, Senac, Senar e Senat), a educação passou a ser viável no meio rural.

No esporte e cultura, quando foram implementas políticas que se tornaram instrumentos de inclusão social e desenvolvimento econômico, pela primeira vez no Brasil a cultura e o esporte foram concebidos como programas de Estado, além da criação dos Centros de Artes e Esportes Unificado (CEU).

Por meio da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) foram realizados uma série de ações que subsidiaram a construção de projetos focados na população do meio rural, a exemplo da Inclusão Digital para os Jovens Rurais; de Articulação de Grupos de Economia Solidária; do Curso de Formação Agroecológica e Cidadã com Geração de Renda, que integra as ações do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica; do Programa Estação Juventude Itinerante Rural, e do Curso de Capacitação de Jovens em Agricultura Sustentável, Gestão e Inovação Tecnológica.

“Essa área de produção em que Matheus planta maracujá, na fazenda Bacuri, é uma ocupação com inúmeros casos de conflito e violação de direitos humanos. São famílias que estão há mais de 13 anos na área e resistem produzindo, mesmo sob ameaça de serem despejadas. O processo já está na Justiça, que infelizmente é morosa, principalmente para nós trabalhadores. Os jovens sobrevivem sob estas condições, sujeitos ao despejo, mas não esmorecem. Na cidade não há trabalho, e nos tornamos resistência porque somos para além de produtores, um modo de vida”, declara Viviane Oliveira, coordenadora da Fetraf Pará.

Título: Cai o número de jovens que permanecem no campo e os que resistem sobrevivem com apoio da organização sindical, Conteúdo: Jovens com idade entre 25 anos e 35 anos, no meio rural, representam apenas 9,48 % do contingente da população rural, segundo o Censo Agropecuário de 2017. Na pesquisa passada, 2016, eles eram 13,56%. Isso demonstra que os jovens estão migrando para os centros urbanos, ou seja, o êxodo rural volta assombrar a sucessão familiar. Outro grupo que também encolheu foi com idade de 35 a 45 anos, em 2016 eles representavam 21,93%, agora são só 18,29%. Hoje, a população que predomina no meio rural é pessoas com mais de 65 anos, chegando a 21,4% dos moradores, em 2006 eles eram 17,52%. Esse envelhecimento não é à toa, já que permanecer no campo aos 25 anos é difícil sem oportunidades de educação e principalmente da tecnologia que move o mundo moderno. Ainda, sem as políticas públicas implementadas nos governos anteriores, que foram capazes de mudar o êxodo rural, a permanência no campo é praticamente para aqueles que estão organizados na classe trabalhadora. Na ocupação da área chamada Nova Conquista, na cidade de Bom Jesus do Tocantins, interior do estado do Pará, Matheus Jadjiski Santos, de 20 anos, tem “sangue nos olhos”, como diz a expressão. Esse jovem é responsável pela produção de cerca de 18 toneladas de maracujá. Persistente, ele é uma exceção em meio ao envelhecimento no campo. Matheus trabalha e tira seu sustento e da sua família da terra, por meio da produção do maracujá. Numa área de 2,5 hectares com 1850 pés de maracujá, que rendeu três safras neste ano de 2019, é um exemplo de que a sucessão rural é viável se existirem políticas públicas que apoiam a permanência do jovem no campo. Ele ainda consegue produzir com sustentabilidade utilizando técnicas de agroecologia, sem uso de agrotóxicos, aprendidas com a organização sindical da qual faz parte. Para a sucessão familiar no meio rural dá certo, é primordial a capacitação de jovens. Assim é o olhar do curso de Jovens Agricultores Familiares - JAF, promovido pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Pará (Fetraf Pará). O curso que teve início em maio de 2019, com o objetivo de potencializar a reflexão dos jovens sobre a temática da juventude da agricultura familiar, fomenta o interesse pelo modo de vida rural e os desafios como juventude protagonista na produção de alimentos. Como Matheus, cerca de 60 jovens participam do curso que é uma alternativa de apoio para capacitar jovens com vistas a sucessão da agricultura familiar. Políticas Públicas atingidas pelo desmonte do Governo Nos governos de Lula e Dilma foram diversas as políticas públicas que tornaram o campo um espaço de oportunidades para a juventude rural. Os governos expandiram a rede federal de escolas técnicas, garantindo formação técnica e profissional aos jovens de todo o País -  foram construídas, pelo menos, 422 escolas técnicas. Com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), oferecendo cerca de 864 tipos de cursos – 220 técnicos e 644 de formação inicial e continuada – realizados em escolas técnicas federais e nas unidades do Sistema S (Senai, Senac, Senar e Senat), a educação passou a ser viável no meio rural. No esporte e cultura, quando foram implementas políticas que se tornaram instrumentos de inclusão social e desenvolvimento econômico, pela primeira vez no Brasil a cultura e o esporte foram concebidos como programas de Estado, além da criação dos Centros de Artes e Esportes Unificado (CEU). Por meio da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) foram realizados uma série de ações que subsidiaram a construção de projetos focados na população do meio rural, a exemplo da Inclusão Digital para os Jovens Rurais; de Articulação de Grupos de Economia Solidária; do Curso de Formação Agroecológica e Cidadã com Geração de Renda, que integra as ações do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica; do Programa Estação Juventude Itinerante Rural, e do Curso de Capacitação de Jovens em Agricultura Sustentável, Gestão e Inovação Tecnológica. “Essa área de produção em que Matheus planta maracujá, na fazenda Bacuri, é uma ocupação com inúmeros casos de conflito e violação de direitos humanos. São famílias que estão há mais de 13 anos na área e resistem produzindo, mesmo sob ameaça de serem despejadas. O processo já está na Justiça, que infelizmente é morosa, principalmente para nós trabalhadores. Os jovens sobrevivem sob estas condições, sujeitos ao despejo, mas não esmorecem. Na cidade não há trabalho, e nos tornamos resistência porque somos para além de produtores, um modo de vida”, declara Viviane Oliveira, coordenadora da Fetraf Pará.



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