Por Fernanda Silva
Fotos: Claudio Zacchino
Foi em solo nordestino que a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar do Brasil (FETRAF-BRASIL) realizou o II Encontro Nacional da Agricultura Familiar com a presença do presidente da República Luís Inácio Lula da Silva e, mais de cinco mil trabalhadores do campo de 19 estados do país. A ocasião representou momento histórico para a entidade que demarcou as bandeiras de luta, os avanços conquistados pela categoria, assim como os desafios a serem superados.
Lula fez ainda um breve resgate sobre os avanços do governo para que ?diminuísse as letras, baixasse os juros e aumentasse o dinheiro?, referindo-se à política de simplificar, por exemplo, as regras do Pronaf.
?Quando assumi o governo, o Brasil só tinha R$ 380 bi de crédito disponíveis, hoje, R$ 1 trilhão e 500 bi. Nós aprendemos, saímos de R$2 bi e 400 mil de Pronaf para R$ 16 bi. E preciso que se diga que para quem quiser que há crédito para ajudar os pequenos a se tornarem um pouco maior. Criamos o Luz Para Todos, em 2005, que já atendeu mais de 2 milhões de casas a maioria no campo. Nós trouxemos 2 milhões e 400 mil pessoas do século XVIII para o século XXI, apagando cada candieiro?. Ainda segundo o presidente, o Brasil aprendeu e mostrou que só precisa de oportunidade, pois ?com ela sabemos trabalhar com dignidade?.
Sendo o primeiro a sair e entrar na maior crise financeira mundial, Lula atentou para a atual situação em que o Brasil passou de devedor à credor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o qual nos deve hoje US$ 14 bi. ?O país quebrou três vezes na crise da Rússia, México e Malásia, mas na maior do mundo, como eu apelidei, foi uma marolinha. A Europa, teve 16 milhões de demissões de trabalhadores, nós, de janeiro a junho, já criamos quase 1 milhão e 500 mil empregos formais. Enquanto as pessoas diziam que não podíamos aumentar o salário mínimo porque a inflação subiria e previdência quebraria, eu já falava, é melhor quebrar a previdência do que ter um cidadão morrendo de fome nesse país?, disse orgulhoso.
?O Pronaf, crédito fundiário e solidário, seguro agrícola, o programa de habitação, Luz Para Todos, as políticas de desenvolvimento territorial, Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), assim como a produção nos assentamentos da reforma agrária, são conquistas importantes que tivemos e mostram que a agricultura familiar tem capacidade, está com vontade de transformar e que a reforma agrária é viável nesse país?.
Referindo-se aos desafios que a Federação, como entidade representativa da categoria enfrenta, Elisângela falou sobre a importância de melhor funcionamento do Mais Ambiente e da reestruturação da previdência para o segurado especial fortalecendo as secretarias dentro do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
?Precisamos avançar e isso consiste em disputar e implementar outro modelo de desenvolvimento com sustentabilidade social, econômica e ambiental, efetivando a reforma agrária, instituindo modelo de produção com princípios agroecológicos garantindo a preservação do meio ambiente, garantia de preço para os produtos da agricultura familiar e possibilitando a industrialização dos produtos. Com a capacidade organizativa da nossa FETRAF e a unidade com outras entidades, somos fortes para construir cada vez mais um Brasil rural melhor?, terminou emocionada.
Evolução
?A FETRAF participou junto ao ministério da educação da expansão das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), agora, que discutimos a ampliação do conjunto do MERCOSUL, para que ele não seja apenas um simples mercado, mas desenvolva também o estado social, a FETRAF atua na discussão. Na luta pela Lei Maria da Penha, participou ativamente e inovou o sindicalismo brasileiro com a criação da secretaria da juventude?. Ainda segundo o ministro, ?foi uma honra política e enorme prazer ter convivido com a militância e dirigentes, a FETRAF é legítima, autêntica com raízes profundas no mundo rural?.
Também estiveram presentes no evento Rolf Hackbart, presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), representantes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, Martiniano Costa, presidente da Central Unica dos Trabalhadores (CUT) Bahia, Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT, parlamentares e prefeitos.