As conquistas da agricultura familiar e da reforma agrária no governo Lula, embasaram os discursos durante a cerimônia de lançamento do 8º Plano Safra que aconteceu na manhã desta quinta, 17, na VII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária em Brasília.
A FETRAF compareceu com sua executiva nacional e mais de 600 agricultores familiares e assentados que vieram acompanhar o evento, onde estavam presentes representantes do Governo Federal e dos movimentos sociais. Pelo governo, além do presidente Lula, marcaram presença o Ministro da Agricultura, Wagner Rossi; o secretário-geral da Presidência, Luis Dulci; a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Marcia Lopes; e os presidentes do Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil e do Banco da Amazônia.
Com o lançamento, os agricultores puderam comemorar a consolidação do crédito oferecido por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que avançou de R$ 2,4 bilhões na safra 2002/2003 para R$ 16 bilhões na safra 2010/2011, um crescimento de 572%, e ainda apresentando as taxas mais baixas de juros da história. Esse avanço deu-se devido a atuação dos bancos do Brasil, do Nordeste e da Amazônia, que passaram a atender também os agricultores familiares, a exemplo do BNB, cujo volume de empréstimos cresceu, em cinco anos, de R$ 262 milhões para R$ 22 bilhões. ?Em 2002, a inadimplência era de 37,5%. Em cinco anos, caiu para 3%?, comparou o presidente Lula. "Essa gente, que só tem como patrimônio o nome e a dignidade, paga em dia, melhor do que muita gente que acumula patrimônio", disse.
Os avanços significativos para o setor foram pontuados, como a consolidação do Programa de Garantia de Preço para a Agricultura Familiar (PGPAF), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que passou a incorpora produtos da agricultura familiar.
Talvez com maior relevância, vale destacar a mudança da transferência de recursos da PGPM (Política de Garantia dos Preços Mínimos), historicamente destinados aos grandes produtores, que agora passa a ter 20% (vinte por cento) garantidos para a agricultura familiar, o que coloca a categoria, definitivamente, nas políticas de comercialização.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, relacionou o incremento dos recursos à prioridade dada pelo presidente Lula à Agricultura Familiar. ?Os governos anteriores haviam condenado a Agricultura Familiar à invisibilidade. Oito anos depois a história é outra. Rompemos com uma lógica perversa em que os agricultores perdiam a terra para os bancos e hoje a sociedade brasileira reconhece a produção familiar como sinônimo de riqueza e produtividade", concluiu.
?Para os agricultores familiares, homens e mulheres, principalmente a juventude do campo, continua a expectativa de termos mais políticas de distribuição de renda, políticas que de fato venham nos garantir, principalmente nas regiões norte e nordeste desse país, que é possível gerar renda, é possível distribuir a renda gerada e é possível termos agricultores e agricultoras familiares e camponeses com orgulho, cada vez maior, de permanecer no campo. Sabemos que é possível, por isso estamos aqui, porque acreditamos num outro Brasil rural, de gente feliz, de gente vivendo com dignidade?, concluiu Elisângela ao finalizar sua fala, ao som do ?VIVA A AGRICULTURA FAMILIAR?, entoado pelos presentes.
Veja aqui os principais pontos do Plano Safra 2010/11
- Redução dos juros máximos das operações de custeio de 5,5% para 4,5% ao ano;
- Redução dos juros máximos das operações de investimento do Pronaf de 5% para 4% ;
- O programa Mais Alimentos passa a ser permanente. O limite de financiamento de projetos individuais foi ampliado de R$ 100 mil para 130 mil. E o Programa passa a financiar projetos coletivos de até R$ 500 mil;
- Destinação de R$ 626 milhões para o programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater);
- Destinação de 20% dos recursos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para a agricultura familiar.
- R$ 1 bilhão de recursos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de Alimentação Escolar, obedecendo à lei da Alimentação Escolar 11.947/2009, que determina um mínimo 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar (FNDE) ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para compra de produtos oriundos da Agricultura Familiar e/ou empreendedores familiares.
Faça o download do Plano