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Banalização da Violência

Escrito po: Cleonice Back

20/03/2017

Cleonice Back, liderança feminina, é coordenadora Estadual da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul – FETRAF-RS/CUT.

O homem brasileiro, é antes de tudo, um violento. Nossas instituições, inclusive a família, são laboratórios onde a violência se esconde e se perpetua. Ao final da leitura deste artigo, a Central de Atendimento à Mulher, através do disque denúncia (180) registrará, no mínimo, um caso de agressão física, cometido em ambiente familiar, por um homem com vínculo afetivo com a vítima. Ao folhear esse jornal por onze minutos uma mulher será estuprada. Ao encerrar o dia de hoje dez mulheres serão assassinadas. Estima-se que 30 milhões de mulheres já sofreu algum tipo de violência. Tudo isso no Brasil dito pacífico, amoroso e cordial. Essas estatísticas já não causam repulsa, tampouco comoção. A banalização da violência funciona como entorpecente para evitarmos a exposição desta chaga.

Nos parlamentos a mulher é minoria. No poder executivo idem. O sistema judiciário, por sua vez, não demonstra nenhum constrangimento pela preponderância masculina, apesar de ter como símbolo a deusa de olhos vedados, Têmis. No ambiente de trabalho, o assédio é algo disseminado e é comum a mulher receber salários menores. Nos lares, berço dos maus-tratos, cabe a mulher o peso da responsabilidade doméstica.

A violência contra a mulher é uma epidemia de longa data. Uma doença social altamente complexa.    Soco no rosto, pontapés, empurrões ficam gravados nos corpos femininos, os mesmos corpos que geram a vida. Mas a violência também se manifesta nas exclusões institucionalizadas, nas chantagens psicológicas, no palavreado agressivo, no vício do assujeitamento, na diminuição e nas sutilezas do cotidiano. Afogados nesta cultura machista, nos distanciamos cada vez mais do verdadeiro sentido do amor e de relações entre iguais.

Não gostamos de refletir sobre esse tema. Preferimos a surdes, a cegueira e o faz de conta.  Rapidamente transformamos esse assunto em piada e o cinismo prevalece. O mais absurdo são os inequívocos sinais de retrocessos. As estatísticas do feminicídio não recrudescem. Políticas públicas específicas para mulher são consideradas desnecessárias e órgãos que zelam por essas políticas são rebaixados. O caminho da emancipação da mulher será longo e turbulento. 

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